Estava marcada para ontem no Porto, no âmbito do ciclo de conferências "Novas respostas a novos desafios" promovido pela Fundação Mário Soares, a conferência "Novas respostas da ciência" de Sobrinho Simões, na qual o Director do IPATIMUP se propôs defender "que é necessário evoluir de uma perspectiva científico-tecnológica para "uma muito mais cultural, política e, no limite, até religiosa". Frisou que acredita que é a cultura que perspectiva a ciência e não o contrário." (v. http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=39787&op=all).
Justificando: "como somos cada vez mais egoístas, mais mimados como sociedade, acostumados a ter tudo, a ter bem-estar e a gastar muito, estas respostas da ciência, por estranho que pareça, se calhar estão a acelerar os desafios que são mais globais: o da demografia, o do clima, o do esgotamento dos recursos naturais". Este é o condicionamento ético das tecno-ciências. Mas há outro:
As ciências modernas desenvolveram-se sobre uma concepção mecanicista da realidade material, podendo esta assim ser decomposta em elementos, associados segundo certas relações, normalmente formuláveis matematicamente. Ao contrário, a concepção medieval era mais organicista, cada parte (qual órgão) só se compreende e subsiste a funcionar num organismo, dotado de alguma espontaneidade (livre do espartilhamento das relações matemáticas). Veja-se a passagem da alquimia para a química. Mas ainda no séc. XX houve quem propusesse um funcionalismo para compreender por exemplo a mente. Ou seja, na base de quaisquer formulações científicas ou aplicações tecnológicas, potenciando mas também orientando ou enquadrando estas últimas, encontram-se concepções gerais de "objecto", "causalidade", etc. Além dos "controlos éticos" que Sobrinho Simões afirmou ser necessário introduzir, há que implementar a constante reflexão crítica, metafísica e epistemológica, sobre aqueles conceitos de base.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Contra o cepticismo e subjectivismo diletante
Procurando neste blogue apenas assinalar pistas em diversas áreas do conhecimento, porventura estarei a sugerir a algumas pessoas uma atitude céptica - o melhor seria desistir de quaisquer orientações cognitivas da acção. Mas não só julgo que o cepticismo está errado, como penso mesmo que na presente situação económico-política tanto mundial quanto particularmente portuguesa seria especialmente perigoso. Trago assim aqui a nota 18 de O Nó do Problema Ocidental - A Dimensão das Ciências, o link para um artigo dum filósofo português contemporâneo que abre outra frente contra o cepticismo, e farei a seguir uma sugestão musical a propósito (!).
"Dretske ["The pragmatic dimension of knowledge", Philosophical Studies, 40 (1981) 3: 363-378] baliza o valor da justificação em conformidade à relação lógica de dois conjuntos das alternativas em causa em cada conhecimento. Ou seja, podemos recusar umas quantas situações como falsas sem pruridos cépticos. Em primeiro lugar, devemos recusar quaisquer situações que pertençam ao Conjunto de Contraste (CC) – o de todas as situações necessariamente eliminadas pelo que se sabe, ou seja, por aquilo de que se não está a duvidar (ex. se me pergunto se estou sentado num banco ou numa cadeira, não questionando pois a minha posição, posso desconsiderar a alternativa de estar a fazer pesca submarina – durante a qual não me sentaria). Em segundo lugar, podemos ainda recusar situações que pertençam ao Conjunto de Relevância (CR) – aquelas cuja não verificação não é necessária, mas se considera estarem justificadas. O erro dos cépticos, diz esse filósofo, é o de pressuporem que CR é sempre igual a CC, pois o primeiro revela-se apenas como um subconjunto próprio do segundo – isto é, pode haver alternativas não necessariamente excluídas que todavia sejam irrelevantes (como o ar que enche o frigorífico vazio de comida). Na questão sobre quando se poderá recusar situações hipotéticas, Dretske resume os critérios de pertença ao CR na ideia de que a diferença entre as alternativas relevantes e irrelevantes reside no tipo de alternativas que se encontra em cada situação objectiva – abrindo assim a porta a CR’s cujo número varie entre a unidade e algum número pouco superior, ou seja, a conhecimentos certos, ou quase.
Quanto às muito úteis thought-experiments dos cérebros numa cuba, da pastilha alucinogénica… pertence ao meu Conjunto de Contraste (i.e. considero necessariamente recusada) a situação de que os seus autores tenham deixado de fora dos respectivos Conjuntos de Relevância (i.e. que julgassem necessário verificar), assim que cansados de tanto pensar lhes tenha vindo a fome, a hipótese de que as suas despensas e frigoríficos fossem ilusões virtuais, e portanto se tenham deixado exaurir em vez de se considerarem justificados em procurarem aí comida. Alguém pode no entanto infirmar esta minha classificação – como no exemplo dos pára-quedas na nota seguinte – se se apresentar como contra-exemplo após ter passado o que nós outros, seus interlocutores, chamamos “meio ano” sem procurar nem receber alimentação pelo facto de não ter a certeza especulativa de que o frigorífico a contenha, ou que o biscoito que lhe levam à boca seja comestível. Numa palavra, os desafios cépticos são úteis para se destruir o realismo ingénuo, mas pertence ao meu Conjunto de Relevância (i.e. considero-me justificado em recusar) que adultos que reclamem um cepticismo total perante qualquer questão que remeta para princípios, valores ou metodologias sejam outra coisa que não diletantes, pseudo-intelectuais, ou meros oportunistas."
O cepticismo absoluto, rapidamente degenerado no diletantismo, abre ao chamado subjectivismo - e.g. para um conservador há 2 sexos, para um construtivista haverá tantos quantas as possibilidades dum ser humano viver as questões de género, e o 1º número é tão verdadeiro (para aquele) quanto o 2º o é (para este). Mas sobre o subjectivismo passo a palavra a Desidério Murcho em http://criticanarede.com/antropocentrismo.html.
Em suma, como The Monkees, ainda que numa versão minimalista podemos dizer: I'm a believer!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Urgentemente: pelo pensamento disjuntivo e científico!
Nestes dias que correm em Portugal vem ainda mais do que de costume a propósito a chamada de atenção de Alexandre Quintanilha para os valores que orientam a ciência, que aqui referi indirectamente em Ciência - justificação... e beleza! . A saber "i) a exactidão preditiva, ii) a coerência interna da teoria proposta, iii) a consistência desta última com os princípios que estruturam o horizonte em que ela se integra, iv) a sua capacidade de esclarecer simultaneamente dados distintos, e v) a sua fecundidade na abertura de novos domínios de pensamento. Valores aos quais [Quintanilha] adiciona vi) o da beleza da teoria". Penso que os valores ii e iii podem ser reunidos num único; em troca, mesmo quem não aprecie particularmente a navalha de Ockham (que corta os conceitos que se não usam) suponho que aceitará, antes do da beleza, o valor da economia teórica - de modo que entre teorias alternativas se preferirá aquela que libertar mais recursos ou potencial para desenvolver o trabalho a que se proponham.
Vem isso a propósito, por um lado, porque esse é o tipo de pensamento que melhor tem esclarecido o mundo, ou resolvido problemas, em especial desde a Revolução Industrial para cá. E se nós temos hoje problemas ou confusões e obscuridades em Portugal!...
Mas também vem a propósito, por outro lado, porque para a resolução dos problemas estritamente económicos precisamos de capital, que apenas podemos receber dos países (para não variar!) do norte, cujas imprensas não encontraram há dias melhor sigla para designar o conjunto de Greece, Portugal, Spain, Italy (aqui por ordem decrescente de dificuldade financeira) do que "PIGS"... É o regresso da lenda negra, com que aqueles países procuraram legitimar a conquista dos impérios ibéricos enfatizando tudo o que nestes encontravam de mal, e silenciando o que encontravam de bom. E entre o mau encontravam o obscurantismo, a falta de racionalidade crítica, o pensamento único... enfim, a aversão à cientificidade. Não importa se concordamos ou discordamos deles; o que importa é que é do juízo deles que dependem hoje as nossas finanças, e que eles nos estão julgando tendencialmente como pigs - imagina-se a sua disposição para nos emprestar dinheiro!
Por estas 2 razões penso que, nestes dias que correm, é imperativo que, primeiro, suspendamos qualquer pensamento inclusivo de "ser" e "não ser", "verdade" e "falsidade" - que aqui ando a apontar desde Portugal - uma cultura de fronteira - e que reconheçamos que há coisas que têm consequências para lá do que dizemos delas (são as que satisfazem o predicado "ser"). Bem como que há ideias que satisfazem o predicado "verdade" - ou "correcção", "utilidade"... aqui não faz diferença - e outras que não o satisfazem, e que os melhores critérios para as distinguir, percebendo por este meio as consequências mais prováveis de cada opção possível, são os que implementam os valores científicos.
Desde a discussão do Orçamento de Estado na especialidade, à decisão sobre TGV's e aeroportos, passando pela pressão pública sobre tudo isso, aí estaremos escolhendo entre os pensamentos inclusivo ou disjuntivo, mágico ou científico.
Vem isso a propósito, por um lado, porque esse é o tipo de pensamento que melhor tem esclarecido o mundo, ou resolvido problemas, em especial desde a Revolução Industrial para cá. E se nós temos hoje problemas ou confusões e obscuridades em Portugal!...
Mas também vem a propósito, por outro lado, porque para a resolução dos problemas estritamente económicos precisamos de capital, que apenas podemos receber dos países (para não variar!) do norte, cujas imprensas não encontraram há dias melhor sigla para designar o conjunto de Greece, Portugal, Spain, Italy (aqui por ordem decrescente de dificuldade financeira) do que "PIGS"... É o regresso da lenda negra, com que aqueles países procuraram legitimar a conquista dos impérios ibéricos enfatizando tudo o que nestes encontravam de mal, e silenciando o que encontravam de bom. E entre o mau encontravam o obscurantismo, a falta de racionalidade crítica, o pensamento único... enfim, a aversão à cientificidade. Não importa se concordamos ou discordamos deles; o que importa é que é do juízo deles que dependem hoje as nossas finanças, e que eles nos estão julgando tendencialmente como pigs - imagina-se a sua disposição para nos emprestar dinheiro!
Por estas 2 razões penso que, nestes dias que correm, é imperativo que, primeiro, suspendamos qualquer pensamento inclusivo de "ser" e "não ser", "verdade" e "falsidade" - que aqui ando a apontar desde Portugal - uma cultura de fronteira - e que reconheçamos que há coisas que têm consequências para lá do que dizemos delas (são as que satisfazem o predicado "ser"). Bem como que há ideias que satisfazem o predicado "verdade" - ou "correcção", "utilidade"... aqui não faz diferença - e outras que não o satisfazem, e que os melhores critérios para as distinguir, percebendo por este meio as consequências mais prováveis de cada opção possível, são os que implementam os valores científicos.
Desde a discussão do Orçamento de Estado na especialidade, à decisão sobre TGV's e aeroportos, passando pela pressão pública sobre tudo isso, aí estaremos escolhendo entre os pensamentos inclusivo ou disjuntivo, mágico ou científico.
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sábado, 30 de janeiro de 2010
A ciência tal qual ela se faz e vive
O Nº 438 da revista La Recherche (Fevereiro, 2010: 68, 69) traz um Portrait que me parece muito sugestivo sobre o exercício das ciências. É um pequeno artigo sobre a vida e obra do psicólogo canadiano, de origem estónia, Endel Tulving, que em Novembro último recebeu o prémio Pasteur-Weizman-Servier pelo seu estudo da memória humana.
Sobre esta faculdade, a autora atribui-lhe a distinção entre codificação, armazenamento e recuperação (na memória de longo prazo), além das memórias de curto prazo (ou de trabalho), procedimental (do saber-fazer) e perceptiva (sensorial), e ainda da distinção geral entre memória episódica (dos acontecimentos espácio-temporais) e semântica (dos conceitos, expressos verbalmente, exemplificados nos acontecimentos). À excepção desta última distinção, já vi aquelas outras reportadas a autores como Baddeley e Hitch, ou Craig e Lockhart, não conheço a história da psicologia recente para julgar sobre direitos de autor, de qualquer modo Tulving é um dos nomes que aparece na pista da concepção da memória multíplice em vez de unitária.
Mas o que creio vir aqui mais a propósito é a dimensão vivencial do artigo. Tulving, agora com 82 anos, fugiu da Europa devastada para Toronto em 1949, onde foi trabalhador rural, motorista... enquanto se graduava em psicologia. Em 1956 começou a trabalhar na Universidade de Toronto, doutorou-se em Harvard com um estudo sobre a visão, e regressou ao Canadá onde trocou como objecto de estudo esta faculdade pela memória - pela comezinha razão de falta de recursos... ou (como sugere F. Eustache) pela relevância mesmo que inconsciente da memória para um emigrante? Fosse por que razão fosse, como ele próprio declara um dia ouviu num congresso que se poderia substituir a hipótese vigente de uma consequencialidade da memória semântica em relação à episódica (aquela resultaria desta). Entretanto já se observara por exemplo que até certa idade as crianças memorizavam (semanticamente) aprendizagens pese embora não recordassem (episodicamente) o que haviam feito na véspera... Para ligar estas 2 pontas soltas, Tulving propôs então pensar a memória como se ela fosse um conjunto de faculdades e não como se fosse uma única - separando a m. episódica da semântica. Numa sua citação: "je propose de noveaux concepts seulement si mes observations contredisent les anciens" (p. 68).
Tenho vindo aqui a insistir nesta possibilidade de entender (contextualista e pragmaticamente) os conceitos e teorias como instrumentos para a solução de problemas, e não como representações de uma realidade - ainda há dias apontei isso em relação à matemática. A biografia científica deste psicólogo é mais um exemplo: da aventura da emigração e do esforço e partilha da vida entre a enxada e os livros de psicologia, ao desenvolvimento conceptual da hipótese das memórias episódica e semântica, passando pelo reconhecimento da potencialidade conceptual duma deixa ouvida num congresso, assim se fez, entre trabalhos, intuições indistintas, e acasos, a sua obra. Esta não resultou de alguma intuição de 1ªs verdades - como que reveladas pela Natureza, senão por Deus, a este génio iluminado - de onde depois se deduziriam todas aquelas teorias. Ao contrário, foi feita por um homem, condicionado pela respectiva comunidade, com todos os ingredientes que compõem a vida de qualquer outro... mas não faltando o do arrojo de pensar por si mesmo!
Julgo que há muito a aprender em exemplos como este pelos Governos, pelas Escolas, pelas famílias, pelos indivíduos dos países que, querendo os resultados que a investigação fundamental e as tecnologias de ponta facultam, historicamente têm tendido porém a desvalorizar, se não mesmo condenar, a crítica e o arrojo de que Endel Tulving é mais um exemplo, na crença, algo mágica, de que as teorias são coisas que descem misteriosamente sob alguns iluminados...
Sobre esta faculdade, a autora atribui-lhe a distinção entre codificação, armazenamento e recuperação (na memória de longo prazo), além das memórias de curto prazo (ou de trabalho), procedimental (do saber-fazer) e perceptiva (sensorial), e ainda da distinção geral entre memória episódica (dos acontecimentos espácio-temporais) e semântica (dos conceitos, expressos verbalmente, exemplificados nos acontecimentos). À excepção desta última distinção, já vi aquelas outras reportadas a autores como Baddeley e Hitch, ou Craig e Lockhart, não conheço a história da psicologia recente para julgar sobre direitos de autor, de qualquer modo Tulving é um dos nomes que aparece na pista da concepção da memória multíplice em vez de unitária.
Mas o que creio vir aqui mais a propósito é a dimensão vivencial do artigo. Tulving, agora com 82 anos, fugiu da Europa devastada para Toronto em 1949, onde foi trabalhador rural, motorista... enquanto se graduava em psicologia. Em 1956 começou a trabalhar na Universidade de Toronto, doutorou-se em Harvard com um estudo sobre a visão, e regressou ao Canadá onde trocou como objecto de estudo esta faculdade pela memória - pela comezinha razão de falta de recursos... ou (como sugere F. Eustache) pela relevância mesmo que inconsciente da memória para um emigrante? Fosse por que razão fosse, como ele próprio declara um dia ouviu num congresso que se poderia substituir a hipótese vigente de uma consequencialidade da memória semântica em relação à episódica (aquela resultaria desta). Entretanto já se observara por exemplo que até certa idade as crianças memorizavam (semanticamente) aprendizagens pese embora não recordassem (episodicamente) o que haviam feito na véspera... Para ligar estas 2 pontas soltas, Tulving propôs então pensar a memória como se ela fosse um conjunto de faculdades e não como se fosse uma única - separando a m. episódica da semântica. Numa sua citação: "je propose de noveaux concepts seulement si mes observations contredisent les anciens" (p. 68).
Tenho vindo aqui a insistir nesta possibilidade de entender (contextualista e pragmaticamente) os conceitos e teorias como instrumentos para a solução de problemas, e não como representações de uma realidade - ainda há dias apontei isso em relação à matemática. A biografia científica deste psicólogo é mais um exemplo: da aventura da emigração e do esforço e partilha da vida entre a enxada e os livros de psicologia, ao desenvolvimento conceptual da hipótese das memórias episódica e semântica, passando pelo reconhecimento da potencialidade conceptual duma deixa ouvida num congresso, assim se fez, entre trabalhos, intuições indistintas, e acasos, a sua obra. Esta não resultou de alguma intuição de 1ªs verdades - como que reveladas pela Natureza, senão por Deus, a este génio iluminado - de onde depois se deduziriam todas aquelas teorias. Ao contrário, foi feita por um homem, condicionado pela respectiva comunidade, com todos os ingredientes que compõem a vida de qualquer outro... mas não faltando o do arrojo de pensar por si mesmo!
Julgo que há muito a aprender em exemplos como este pelos Governos, pelas Escolas, pelas famílias, pelos indivíduos dos países que, querendo os resultados que a investigação fundamental e as tecnologias de ponta facultam, historicamente têm tendido porém a desvalorizar, se não mesmo condenar, a crítica e o arrojo de que Endel Tulving é mais um exemplo, na crença, algo mágica, de que as teorias são coisas que descem misteriosamente sob alguns iluminados...
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Da filosofia e das suas tendências actuais
Recebi os resultados preliminares do recente inquérito da PhilPapers, dirigido por David Bourget e David Chalmers, a que responderam 3226 pessoas, sobre as posições numa série de questões que fazem a agenda filosófica contemporânea. Já neste blogue tive um desabafo sobre a filosofia dos últimos 2 séculos (Da filosofia nos séc. XIX e XX )... Mas considerando antes o que reconheci a essa velha disciplina intelectual em A Filosofia, os Seus Outros... e a Razão do Leigo (http://www.lusosofia.net/textos/albergaria_miguel_soares_de_a_filosofia.pdf), aqui incluo esses resultados.
2 notas prévias: em Uma cultivação em "T" assinalei que este blogue seria dedicado a explorações transdisciplinares e superficiais - o traço horizontal do T; mas será necessário complementar quaisquer movimentos como esse com o aprofundamento especializante do traço vertical. Este inquérito é um indicador das tendências actuais no aprofundamento de algumas das questões que estruturam este blogue. Questões sem resposta?... Pelo menos sobre um mundo além do sujeito que o percepciona, não é o que a estatística sobre o cepticismo revela que os filósofos pensam!
2 notas prévias: em Uma cultivação em "T" assinalei que este blogue seria dedicado a explorações transdisciplinares e superficiais - o traço horizontal do T; mas será necessário complementar quaisquer movimentos como esse com o aprofundamento especializante do traço vertical. Este inquérito é um indicador das tendências actuais no aprofundamento de algumas das questões que estruturam este blogue. Questões sem resposta?... Pelo menos sobre um mundo além do sujeito que o percepciona, não é o que a estatística sobre o cepticismo revela que os filósofos pensam!
A priori knowledge: yes or no?
Accept or lean toward: yes
662 / 931 (71.1%)
Accept or lean toward: no
171 / 931 (18.3%)
Other
98 / 931 (10.5%)
Abstract objects: Platonism or nominalism?
Accept or lean toward: Platonism
366 / 931 (39.3%)
Accept or lean toward: nominalism
351 / 931 (37.7%)
Other
214 / 931 (22.9%)
Aesthetic value: objective or subjective?
Accept or lean toward: objective
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: subjective
321 / 931 (34.4%)
Other
228 / 931 (24.4%)
Analytic-synthetic distinction: yes or no?
Accept or lean toward: yes
604 / 931 (64.8%)
Accept or lean toward: no
252 / 931 (27%)
Other
75 / 931 (8%)
Epistemic justification: internalism or externalism?
Accept or lean toward: externalism
398 / 931 (42.7%)
Other
287 / 931 (30.8%)
Accept or lean toward: internalism
246 / 931 (26.4%)
External world: idealism, skepticism, or non-skeptical realism?
Accept or lean toward: non-skeptical realism
760 / 931 (81.6%)
Other
86 / 931 (9.2%)
Accept or lean toward: skepticism
45 / 931 (4.8%)
Accept or lean toward: idealism
40 / 931 (4.2%)
Free will: compatibilism, libertarianism, or no free will?
Accept or lean toward: compatibilism
550 / 931 (59%)
Other
139 / 931 (14.9%)
Accept or lean toward: libertarianism
128 / 931 (13.7%)
Accept or lean toward: no free will
114 / 931 (12.2%)
God: theism or atheism?
Accept or lean toward: atheism
678 / 931 (72.8%)
Accept or lean toward: theism
136 / 931 (14.6%)
Other
117 / 931 (12.5%)
Knowledge claims: contextualism, relativism, or invariantism?
Accept or lean toward: contextualism
373 / 931 (40%)
Accept or lean toward: invariantism
290 / 931 (31.1%)
Other
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: relativism
27 / 931 (2.9%)
Knowledge: empiricism or rationalism?
Other
346 / 931 (37.1%)
Accept or lean toward: empiricism
326 / 931 (35%)
Accept or lean toward: rationalism
259 / 931 (27.8%)
Laws of nature: Humean or non-Humean?
Accept or lean toward: non-Humean
532 / 931 (57.1%)
Accept or lean toward: Humean
230 / 931 (24.7%)
Other
169 / 931 (18.1%)
Logic: classical or non-classical?
Accept or lean toward: classical
480 / 931 (51.5%)
Other
308 / 931 (33%)
Accept or lean toward: non-classical
143 / 931 (15.3%)
Mental content: internalism or externalism?
Accept or lean toward: externalism
476 / 931 (51.1%)
Other
269 / 931 (28.8%)
Accept or lean toward: internalism
186 / 931 (19.9%)
Meta-ethics: moral realism or moral anti-realism?
Accept or lean toward: moral realism
525 / 931 (56.3%)
Accept or lean toward: moral anti-realism
258 / 931 (27.7%)
Other
148 / 931 (15.8%)
Metaphilosophy: naturalism or non-naturalism?
Accept or lean toward: naturalism
464 / 931 (49.8%)
Accept or lean toward: non-naturalism
241 / 931 (25.8%)
Other
226 / 931 (24.2%)
Mind: physicalism or non-physicalism?
Accept or lean toward: physicalism
526 / 931 (56.4%)
Accept or lean toward: non-physicalism
252 / 931 (27%)
Other
153 / 931 (16.4%)
Moral judgment: cognitivism or non-cognitivism?
Accept or lean toward: cognitivism
612 / 931 (65.7%)
Other
161 / 931 (17.2%)
Accept or lean toward: non-cognitivism
158 / 931 (16.9%)
Moral motivation: internalism or externalism?
Other
329 / 931 (35.3%)
Accept or lean toward: internalism
325 / 931 (34.9%)
Accept or lean toward: externalism
277 / 931 (29.7%)
Newcomb's problem: one box or two boxes?
Other
441 / 931 (47.3%)
Accept or lean toward: two boxes
292 / 931 (31.3%)
Accept or lean toward: one box
198 / 931 (21.2%)
Normative ethics: deontology, consequentialism, or virtue ethics?
Other
301 / 931 (32.3%)
Accept or lean toward: deontology
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: consequentialism
220 / 931 (23.6%)
Accept or lean toward: virtue ethics
169 / 931 (18.1%)
Perceptual experience: disjunctivism, qualia theory, representationalism, or sense-datum theory?
Other
393 / 931 (42.2%)
Accept or lean toward: representationalism
293 / 931 (31.4%)
Accept or lean toward: qualia theory
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: disjunctivism
102 / 931 (10.9%)
Accept or lean toward: sense-datum theory
29 / 931 (3.1%)
Personal identity: biological view, psychological view, or further-fact view?
Other
347 / 931 (37.2%)
Accept or lean toward: psychological view
313 / 931 (33.6%)
Accept or lean toward: biological view
157 / 931 (16.8%)
Accept or lean toward: further-fact view
114 / 931 (12.2%)
Politics: communitarianism, egalitarianism, or libertarianism?
Other
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: egalitarianism
324 / 931 (34.8%)
Accept or lean toward: communitarianism
133 / 931 (14.2%)
Accept or lean toward: libertarianism
92 / 931 (9.8%)
Proper names: Fregean or Millian?
Other
343 / 931 (36.8%)
Accept or lean toward: Millian
321 / 931 (34.4%)
Accept or lean toward: Fregean
267 / 931 (28.6%)
Science: scientific realism or scientific anti-realism?
Accept or lean toward: scientific realism
699 / 931 (75%)
Other
124 / 931 (13.3%)
Accept or lean toward: scientific anti-realism
108 / 931 (11.6%)
Teletransporter (new matter): survival or death?
Accept or lean toward: survival
337 / 931 (36.1%)
Other
304 / 931 (32.6%)
Accept or lean toward: death
290 / 931 (31.1%)
Time: A-theory or B-theory?
Other
542 / 931 (58.2%)
Accept or lean toward: B-theory
245 / 931 (26.3%)
Accept or lean toward: A-theory
144 / 931 (15.4%)
Trolley problem (five straight ahead, one on side track, turn requires switching, what ought one do?): switch or don't switch?
Accept or lean toward: switch
635 / 931 (68.2%)
Other
225 / 931 (24.1%)
Accept or lean toward: don't switch
71 / 931 (7.6%)
Truth: correspondence, deflationary, or epistemic?
Accept or lean toward: correspondence
473 / 931 (50.8%)
Accept or lean toward: deflationary
231 / 931 (24.8%)
Other
163 / 931 (17.5%)
Accept or lean toward: epistemic
64 / 931 (6.8%)
Zombies: inconceivable, conceivable but not metaphysically possible, or metaphysically possible?
Accept or lean toward: conceivable but not metaphysically possible
331 / 931 (35.5%)
Other
234 / 931 (25.1%)
Accept or lean toward: metaphysically possible
217 / 931 (23.3%)
Accept or lean toward: inconceivable
149 / 931 (16%)
Accept or lean toward: yes
662 / 931 (71.1%)
Accept or lean toward: no
171 / 931 (18.3%)
Other
98 / 931 (10.5%)
Accept or lean toward: Platonism
366 / 931 (39.3%)
Accept or lean toward: nominalism
351 / 931 (37.7%)
Other
214 / 931 (22.9%)
Accept or lean toward: objective
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: subjective
321 / 931 (34.4%)
Other
228 / 931 (24.4%)
Accept or lean toward: yes
604 / 931 (64.8%)
Accept or lean toward: no
252 / 931 (27%)
Other
75 / 931 (8%)
Accept or lean toward: externalism
398 / 931 (42.7%)
Other
287 / 931 (30.8%)
Accept or lean toward: internalism
246 / 931 (26.4%)
Accept or lean toward: non-skeptical realism
760 / 931 (81.6%)
Other
86 / 931 (9.2%)
Accept or lean toward: skepticism
45 / 931 (4.8%)
Accept or lean toward: idealism
40 / 931 (4.2%)
Accept or lean toward: compatibilism
550 / 931 (59%)
Other
139 / 931 (14.9%)
Accept or lean toward: libertarianism
128 / 931 (13.7%)
Accept or lean toward: no free will
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: atheism
678 / 931 (72.8%)
Accept or lean toward: theism
136 / 931 (14.6%)
Other
117 / 931 (12.5%)
Accept or lean toward: contextualism
373 / 931 (40%)
Accept or lean toward: invariantism
290 / 931 (31.1%)
Other
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: relativism
27 / 931 (2.9%)
Other
346 / 931 (37.1%)
Accept or lean toward: empiricism
326 / 931 (35%)
Accept or lean toward: rationalism
259 / 931 (27.8%)
Accept or lean toward: non-Humean
532 / 931 (57.1%)
Accept or lean toward: Humean
230 / 931 (24.7%)
Other
169 / 931 (18.1%)
Accept or lean toward: classical
480 / 931 (51.5%)
Other
308 / 931 (33%)
Accept or lean toward: non-classical
143 / 931 (15.3%)
Accept or lean toward: externalism
476 / 931 (51.1%)
Other
269 / 931 (28.8%)
Accept or lean toward: internalism
186 / 931 (19.9%)
Accept or lean toward: moral realism
525 / 931 (56.3%)
Accept or lean toward: moral anti-realism
258 / 931 (27.7%)
Other
148 / 931 (15.8%)
Accept or lean toward: naturalism
464 / 931 (49.8%)
Accept or lean toward: non-naturalism
241 / 931 (25.8%)
Other
226 / 931 (24.2%)
Accept or lean toward: physicalism
526 / 931 (56.4%)
Accept or lean toward: non-physicalism
252 / 931 (27%)
Other
153 / 931 (16.4%)
Accept or lean toward: cognitivism
612 / 931 (65.7%)
Other
161 / 931 (17.2%)
Accept or lean toward: non-cognitivism
158 / 931 (16.9%)
Other
329 / 931 (35.3%)
Accept or lean toward: internalism
325 / 931 (34.9%)
Accept or lean toward: externalism
277 / 931 (29.7%)
Other
441 / 931 (47.3%)
Accept or lean toward: two boxes
292 / 931 (31.3%)
Accept or lean toward: one box
198 / 931 (21.2%)
Other
301 / 931 (32.3%)
Accept or lean toward: deontology
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: consequentialism
220 / 931 (23.6%)
Accept or lean toward: virtue ethics
169 / 931 (18.1%)
Other
393 / 931 (42.2%)
Accept or lean toward: representationalism
293 / 931 (31.4%)
Accept or lean toward: qualia theory
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: disjunctivism
102 / 931 (10.9%)
Accept or lean toward: sense-datum theory
29 / 931 (3.1%)
Other
347 / 931 (37.2%)
Accept or lean toward: psychological view
313 / 931 (33.6%)
Accept or lean toward: biological view
157 / 931 (16.8%)
Accept or lean toward: further-fact view
114 / 931 (12.2%)
Other
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: egalitarianism
324 / 931 (34.8%)
Accept or lean toward: communitarianism
133 / 931 (14.2%)
Accept or lean toward: libertarianism
92 / 931 (9.8%)
Other
343 / 931 (36.8%)
Accept or lean toward: Millian
321 / 931 (34.4%)
Accept or lean toward: Fregean
267 / 931 (28.6%)
Accept or lean toward: scientific realism
699 / 931 (75%)
Other
124 / 931 (13.3%)
Accept or lean toward: scientific anti-realism
108 / 931 (11.6%)
Accept or lean toward: survival
337 / 931 (36.1%)
Other
304 / 931 (32.6%)
Accept or lean toward: death
290 / 931 (31.1%)
Other
542 / 931 (58.2%)
Accept or lean toward: B-theory
245 / 931 (26.3%)
Accept or lean toward: A-theory
144 / 931 (15.4%)
Accept or lean toward: switch
635 / 931 (68.2%)
Other
225 / 931 (24.1%)
Accept or lean toward: don't switch
71 / 931 (7.6%)
Accept or lean toward: correspondence
473 / 931 (50.8%)
Accept or lean toward: deflationary
231 / 931 (24.8%)
Other
163 / 931 (17.5%)
Accept or lean toward: epistemic
64 / 931 (6.8%)
Accept or lean toward: conceivable but not metaphysically possible
331 / 931 (35.5%)
Other
234 / 931 (25.1%)
Accept or lean toward: metaphysically possible
217 / 931 (23.3%)
Accept or lean toward: inconceivable
149 / 931 (16%)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O cumprimento do sonho de uma certeza (as coisas nunca são como as sonhámos...)
No capítulo "Do (re)conhecimento da ignorância..." do livro referido no post anterior lemos que "a síntese é sempre provisória (...) conservadora, estática; é a análise que permite o avanço" (p. 109) - isto é, os grandes conhecimentos que tudo englobam são inúteis (além de ultra-incompletos!), só na especialização é que se avança alguma coisa, sempre sem grande compreensão do todo. E com esta síntese do sentido de quaisquer conhecimentos englobantes o autor pretende desmentir a validade de qualquer síntese... Não fosse Até a não contradição entra em relativizações?!...... , e teria dificuldade em entender algum sentido nesse capítulo! Mas dado este último post, e considerando o resto daquele capítulo, creio que poderemos avançar para um refraseamento do dito: pela minha parte - diria o autor - ainda não me apercebi de algum conhecimento que abarcasse tudo...
Onésimo Teotónio Almeida aflora a universalidade possível, penso eu, na p. 111 quando diz (com a graça que caracteriza a sua escrita) que "o nosso agir na vida real tem mais de engenharia do que de Física ou Matemática. Asseguramo-nos dos mínimos de certezas para a vida continuar". Vou-lhe aqui acrescentar um apontamento:
O campo teórico para que esta porta pragmática (assegurarmo-nos das certezas que permitem sobreviver) abre é para a actual discussão sobre o que é o conhecimento (por sinal o autor quase a atravessou na p. 95 - "...década de 70, quando havia pelo menos um certo consenso de que conhecimento era justified true belief. Praticamente tudo foi posto em causa a partir dos anos 80" - mas bateu em retirada). Designadamente, a oposição entre o invariantismo - "conhecimento" tem 1 significado nuclear - e contextualismo - aquele significado varia com os contextos. Esta 2ª posição desenvolve o pragmatismo, com a vantagem que Onésimo lhe reconhece... embora para se embaraçar no problema do critério para o reconhecimento do significado de cada vez apropriado (Há tempo assinalei o que sei (!) deste campo teórico em 2 páginas A4 em http://www.webartigos.com/articles/13591/1/o-que--conhecer/pagina1.html, talvez seja aqui útil).
Em todo o caso, julgo que o contextualismo volta a validar expressões como "Sei isso!", "Tenho a certeza absoluta que...", etc., que os embaraços do invariantismo deixaram tão mal tratadas. Apenas esse saber, essa certeza, já não são teoréticas - não podem ser interpretadas invariantistamente! - mas práticas. Constituem o conhecimento implicado, e apenas enquanto implicado, na tomada de decisão e na acção que é consequente a esta última. Assim é legítimo usar essas expressões, por exemplo, quanto ao conhecimento sobre o momento de arrancar por parte de condutores em cruzamentos com semáforos - se não soubessem, isto é, se as suas crenças não tendessem infinitesimalmente para a verdade absoluta, ao cabo de 1000 arranques haveria um número razoável de acidentes; mas o facto é que, em cruzamentos de avenidas com várias faixas, os raros acidentes costumam dever-se ao incumprimento, e não ao desconhecimento, dos semáforos.
Se como os autores que Onésimo cita bem mostram, a certeza teórica, as sínteses globais, etc., são-nos praticamente impossíveis, é a teoria que resulta deste reconhecimento que acaba por nos legitimar uma outra certeza, ou uma certeza num outro conhecimento.
Onésimo Teotónio Almeida aflora a universalidade possível, penso eu, na p. 111 quando diz (com a graça que caracteriza a sua escrita) que "o nosso agir na vida real tem mais de engenharia do que de Física ou Matemática. Asseguramo-nos dos mínimos de certezas para a vida continuar". Vou-lhe aqui acrescentar um apontamento:
O campo teórico para que esta porta pragmática (assegurarmo-nos das certezas que permitem sobreviver) abre é para a actual discussão sobre o que é o conhecimento (por sinal o autor quase a atravessou na p. 95 - "...década de 70, quando havia pelo menos um certo consenso de que conhecimento era justified true belief. Praticamente tudo foi posto em causa a partir dos anos 80" - mas bateu em retirada). Designadamente, a oposição entre o invariantismo - "conhecimento" tem 1 significado nuclear - e contextualismo - aquele significado varia com os contextos. Esta 2ª posição desenvolve o pragmatismo, com a vantagem que Onésimo lhe reconhece... embora para se embaraçar no problema do critério para o reconhecimento do significado de cada vez apropriado (Há tempo assinalei o que sei (!) deste campo teórico em 2 páginas A4 em http://www.webartigos.com/articles/13591/1/o-que--conhecer/pagina1.html, talvez seja aqui útil).
Em todo o caso, julgo que o contextualismo volta a validar expressões como "Sei isso!", "Tenho a certeza absoluta que...", etc., que os embaraços do invariantismo deixaram tão mal tratadas. Apenas esse saber, essa certeza, já não são teoréticas - não podem ser interpretadas invariantistamente! - mas práticas. Constituem o conhecimento implicado, e apenas enquanto implicado, na tomada de decisão e na acção que é consequente a esta última. Assim é legítimo usar essas expressões, por exemplo, quanto ao conhecimento sobre o momento de arrancar por parte de condutores em cruzamentos com semáforos - se não soubessem, isto é, se as suas crenças não tendessem infinitesimalmente para a verdade absoluta, ao cabo de 1000 arranques haveria um número razoável de acidentes; mas o facto é que, em cruzamentos de avenidas com várias faixas, os raros acidentes costumam dever-se ao incumprimento, e não ao desconhecimento, dos semáforos.
Se como os autores que Onésimo cita bem mostram, a certeza teórica, as sínteses globais, etc., são-nos praticamente impossíveis, é a teoria que resulta deste reconhecimento que acaba por nos legitimar uma outra certeza, ou uma certeza num outro conhecimento.
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