A Edge Foundation publicou (creio que ontem) a "Edge Question 2011", formulada como no título acima. Volto a reabrir momentaneamente este blogue para daqui reenviar para: http://www.edge.org/q2011/q11_1.html.
Pois o âmbito deste blogue situa-se no horizonte aberto entre a expectativa de P. Snow e a do próprio John Brockman que a refere no menu "About Edge" (http://www.edge.org/about_edge.html): "In a second edition of The Two Cultures, published in 1963, Snow added a new essay, "The Two Cultures: A Second Look," in which he optimistically suggested that a new culture, a "third culture," would emerge and close the communications gap between the literary intellectuals and the scientists. In Snow's third culture, the literary intellectuals would be on speaking terms with the scientists. Although I borrow Snow's phrase, it does not describe the third culture he predicted. Literary intellectuals are not communicating with scientists. Scientists are communicating directly with the general public. Traditional intellectual media played a vertical game: journalists wrote up and professors wrote down. Today, third- culture thinkers tend to avoid the middleman and endeavor to express their deepest thoughts in a manner accessible to the intelligent reading public."
Cf. Da crise das humanidades e do seu desafio,...
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sábado, 15 de janeiro de 2011
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Livros electrónicos (e-books) e acesso à informação
O post de Gary Becker http://uchicagolaw.typepad.com/beckerposner/2010/02/are-e-readers-the-beginning-of-the-end-for-books-becker.html, mais os respectivos Comentários (a que apenas dei uma vista de olhos) e o post de resposta por Richard Posner, especulam sobre as consequências no acesso à informação e à reflexão deste novo salto na tecnologia da edição que é a dos e-books. E que eu não haveria de deixar de abordar aqui uma vez que este blogue se integra precisamente nessa tecnologia.
A alguém da minha geração - que li e estudei (enfim... o pouco que o fiz!) em papel - parece óbvio que os e-readers não substituirão os volumes impressos em relação à facilidade de manuseamento para consultas, avanços e recuos, e para sublinhados e notas nas margens, e, mesmo que a tecnologia praticamente anule essa diferença, não substituirão os bons e velhos livros no tacto do objecto a explorar, no cheiro misterioso do papel fechado há muito, no conforto das lombadas que não de plástico... Mas não me precipitaria a estender esse juízo às gerações que substituíram a futebolada de rua pelas play-stations, as conversas cara a cara pelos chats ao mesmo tempo que falam ao telemóvel, etc.
Além dessa cautela, talvez o confronto entre a edição em papel e a electrónica deva ser perspectivada mais em complemento do que - como tenderam Becker e Posner - em alternativa. Como disse, este blogue é um exemplo: o ensaio que traz este título está disponível electronicamente; pode ser alugado nesse formato, e não sei se comprado também (para down load); mas pode ainda ser encomendado (no Brasil) em formato de papel, numa edição afinal semelhante à da Oxford University Press, a um preço muito reduzido (visto que não precisa compensar eventuais sobras em armazém). Ou seja, o formato do e-book, mesmo para um ensaio que o leitor porventura gostará de anotar nas margens, começa por se constituir como um outro acesso de consulta inicial que não o dos escaparates das livrarias ou bibliotecas. Mas depois não exclui a leitura em papel, aliás facilita-a no preço, ainda que a atrase (mantendo-a no formato digital do aluguer) no tempo da encomenda e entrega por correio. A complementaridade entre papel e digitalização verifica-se ainda nesta possibilidade de se associar um blogue a um livro, para alargar o horizonte deste último, para eventuais trocas de ideias entre leitores e autor, etc.
Em suma, se a escrita constituiu porventura o maior salto em frente do progresso humano, se a imprensa constituiu uma revolução por estender a comunicação escrita além da minoria que poderia aceder a manuscritos raros, inclino-me a apostar que os e-books apenas potenciarão a herança de Gutenberg.
A alguém da minha geração - que li e estudei (enfim... o pouco que o fiz!) em papel - parece óbvio que os e-readers não substituirão os volumes impressos em relação à facilidade de manuseamento para consultas, avanços e recuos, e para sublinhados e notas nas margens, e, mesmo que a tecnologia praticamente anule essa diferença, não substituirão os bons e velhos livros no tacto do objecto a explorar, no cheiro misterioso do papel fechado há muito, no conforto das lombadas que não de plástico... Mas não me precipitaria a estender esse juízo às gerações que substituíram a futebolada de rua pelas play-stations, as conversas cara a cara pelos chats ao mesmo tempo que falam ao telemóvel, etc.
Além dessa cautela, talvez o confronto entre a edição em papel e a electrónica deva ser perspectivada mais em complemento do que - como tenderam Becker e Posner - em alternativa. Como disse, este blogue é um exemplo: o ensaio que traz este título está disponível electronicamente; pode ser alugado nesse formato, e não sei se comprado também (para down load); mas pode ainda ser encomendado (no Brasil) em formato de papel, numa edição afinal semelhante à da Oxford University Press, a um preço muito reduzido (visto que não precisa compensar eventuais sobras em armazém). Ou seja, o formato do e-book, mesmo para um ensaio que o leitor porventura gostará de anotar nas margens, começa por se constituir como um outro acesso de consulta inicial que não o dos escaparates das livrarias ou bibliotecas. Mas depois não exclui a leitura em papel, aliás facilita-a no preço, ainda que a atrase (mantendo-a no formato digital do aluguer) no tempo da encomenda e entrega por correio. A complementaridade entre papel e digitalização verifica-se ainda nesta possibilidade de se associar um blogue a um livro, para alargar o horizonte deste último, para eventuais trocas de ideias entre leitores e autor, etc.
Em suma, se a escrita constituiu porventura o maior salto em frente do progresso humano, se a imprensa constituiu uma revolução por estender a comunicação escrita além da minoria que poderia aceder a manuscritos raros, inclino-me a apostar que os e-books apenas potenciarão a herança de Gutenberg.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Ainda algumas passagens de questões fundamentais
Para encerrar a reflexão do penúltimo e antepenúltimo posts, mas já sem ser exaustivo quanto às questões do inquérito em Da filosofia e das suas tendências actuais aqui abordadas, apontarei ainda mais algumas passagens destas (sempre segundo a sua ordem no inquérito... enfim, se não me tiver enganado na contagem).
9ª) Afinal o que significa dizer que se "conhece" algo? 40% dos filósofos (maioria relativa) tenderão hoje a concordar com o pressuposto de Lewontin em O darwinismo e um contextualismo epistemológico (2... ... enfrentando os problemas teóricos que se lhe colocam.
12ª) Se o que estou a escrever não for verdadeiro, é necessariamente falso? Segundo o princípio de bivalência da lógica clássica, sim, segundo a lógica não-clássica (que toma o verdadeiro como necessário, o falso como impossível, e entre os 2 verifica-se um número infinito de graus de possibilidade), não. Abordei uma eventual resposta da cultura portuguesa a esta questão em Portugal - uma cultura de fronteira - a maioria dos filósofos contemporâneos não concorda com essa resposta.
16ª) Voltando à 6ª questão, a minha vivência mental da percepção e uso deste computador esgotar-se-ia aos inputs cerebrais que uma Matrix porventura me enviasse? Em Cérebro (e mente): da quantidade à qualidade!... tinha aqui abordado esta questão - que não é bizantina, por exemplo, se a mente se reduz ao cérebro então não há imortalidade! É para aqui que tendem 56,4% dos actuais argumentos racionais.
20ª) Por exemplo mentiras piedosas, são justas, ou mentir é mau em si mesmo? Pelos vistos terei feito bem em requerer prudência face aos pressupostos de L. Wolpert em Ciência, ética, e embaraços: os filósofos da ética dividem-se na resposta a perguntas como essas.
23ª) Mas politicamente a derrapagem continua! No 2º passo de Mais uma breve derrapagem para a política portugue... apontei a necessidade de se distinguir as 3 ideologias democráticas, para se assumir a escolha de alguma... pois, falta apontar o valor primordial segundo o qual se escolha, e a maioria relativa dos filósofos (41%) parece continuar a não se entender nesta hierarquia de valores.
Enfim, neste labirinto ou nevoeiro da existência, muito nos cabe continuar a tentear!
9ª) Afinal o que significa dizer que se "conhece" algo? 40% dos filósofos (maioria relativa) tenderão hoje a concordar com o pressuposto de Lewontin em O darwinismo e um contextualismo epistemológico (2... ... enfrentando os problemas teóricos que se lhe colocam.
12ª) Se o que estou a escrever não for verdadeiro, é necessariamente falso? Segundo o princípio de bivalência da lógica clássica, sim, segundo a lógica não-clássica (que toma o verdadeiro como necessário, o falso como impossível, e entre os 2 verifica-se um número infinito de graus de possibilidade), não. Abordei uma eventual resposta da cultura portuguesa a esta questão em Portugal - uma cultura de fronteira - a maioria dos filósofos contemporâneos não concorda com essa resposta.
16ª) Voltando à 6ª questão, a minha vivência mental da percepção e uso deste computador esgotar-se-ia aos inputs cerebrais que uma Matrix porventura me enviasse? Em Cérebro (e mente): da quantidade à qualidade!... tinha aqui abordado esta questão - que não é bizantina, por exemplo, se a mente se reduz ao cérebro então não há imortalidade! É para aqui que tendem 56,4% dos actuais argumentos racionais.
20ª) Por exemplo mentiras piedosas, são justas, ou mentir é mau em si mesmo? Pelos vistos terei feito bem em requerer prudência face aos pressupostos de L. Wolpert em Ciência, ética, e embaraços: os filósofos da ética dividem-se na resposta a perguntas como essas.
23ª) Mas politicamente a derrapagem continua! No 2º passo de Mais uma breve derrapagem para a política portugue... apontei a necessidade de se distinguir as 3 ideologias democráticas, para se assumir a escolha de alguma... pois, falta apontar o valor primordial segundo o qual se escolha, e a maioria relativa dos filósofos (41%) parece continuar a não se entender nesta hierarquia de valores.
Enfim, neste labirinto ou nevoeiro da existência, muito nos cabe continuar a tentear!
sábado, 12 de dezembro de 2009
Passagens das tendências teóricas actuais neste blogue: 5ª - 8ª
Continuo aqui, depois do último post, a assinalar posts deste blog que versam algumas das questões fundamentais, ou radicais referidas em Da filosofia e das suas tendências actuais . Ainda seguindo a ordem delas nesse inquérito, não tenho ideia de ter aqui abordado a 4ª, logo passo às seguintes:
5ª) Será que cabe ao sujeito que conhece justificar esse seu conhecimento, ou este ocorre pela transmissão da forma do objecto conhecido àquele sujeito? A ultrapassagem em 11,9% da 2ª posição (para a qual contribuí na minha resposta ao inquérito) à 1ª constitui a minha maior surpresa nestes resultados: afinal representa uma inversão da tendência que o Ocidente desenvolve desde a Idade Moderna, num regresso à epistemologia aristotélico-tomista! (ou ainda: estaremos a reposicionarmo-nos na encruzilhada intelectual entre o fim do séc. XIII e o início do séc. XIV que, em O Nó do Problema Ocidental (p. 86), apontei como decisiva para a evolução ocidental). Mas mesmo os externalistas (como eu) não podemos ignorar apontamentos como os que se encontram em Na base estão as ideias - o caso Anaximandro ou em Ciência - justificação... e beleza! .
6ª) Como posso saber se tenho mesmo um computador à frente, em vez de estar em alguma cuba, com uma Matrix qualquer a enviar-me os sinais eléctricos que o meu cérebro interpretará como "um computador"? Em troca, que apenas 4,8% sustentem o cepticismo não me surpreende - também penso que questões como a do cérebro numa cuba são intelectualmente úteis, mas sem que possam levar ao cepticismo. Por aqui referi-me à certeza em Do sentido e horizonte da "ciência" (2), O cumprimento do sonho de uma certeza (as coisas n...,... Sobre idealismo vs. realismo quanto a um mundo externo, v. 5ª questão, reforçada pelos 81,6% que (aristotélico-tomistamente) sustentam um realismo moderado.
7ª) E escolhi vir visitar este blogue, ou estava determinado - histórico-culturalmente, geneticamente (!)... - a fazê-lo? Mais uma vez a tendência é clara: Apenas 12,2% dos filósofos contemporâneos argumentariam a favor de um determinismo absoluto. Em Agosto essa questão do livre-arbítrio tocou-me aqui particularmente: Livre arbítrio, mente... e "robopatas", Livre arbítrio, mente... e "robopatas" (2).
8ª) Existe algo que se possa chamar "Deus"? A dificuldade duma resposta racional positiva a essa pergunta está bem expressa nos apenas 14, 6% que a sustentam. No entanto, em Ainda Darwin, e o "Deus" da Bíblia ou do Corão... ... creio ter deixado a pista da razão por que vai um passo de gigante entre a suspensão (racionalmente agnóstica) dessa resposta, e a afirmação ateia (para que tenderão 72,8% dos filósofos... embora não me lembre se a formulação do inquérito não poderá ter levado a uma junção de ateísmo e agnosticismo).
5ª) Será que cabe ao sujeito que conhece justificar esse seu conhecimento, ou este ocorre pela transmissão da forma do objecto conhecido àquele sujeito? A ultrapassagem em 11,9% da 2ª posição (para a qual contribuí na minha resposta ao inquérito) à 1ª constitui a minha maior surpresa nestes resultados: afinal representa uma inversão da tendência que o Ocidente desenvolve desde a Idade Moderna, num regresso à epistemologia aristotélico-tomista! (ou ainda: estaremos a reposicionarmo-nos na encruzilhada intelectual entre o fim do séc. XIII e o início do séc. XIV que, em O Nó do Problema Ocidental (p. 86), apontei como decisiva para a evolução ocidental). Mas mesmo os externalistas (como eu) não podemos ignorar apontamentos como os que se encontram em Na base estão as ideias - o caso Anaximandro ou em Ciência - justificação... e beleza! .
6ª) Como posso saber se tenho mesmo um computador à frente, em vez de estar em alguma cuba, com uma Matrix qualquer a enviar-me os sinais eléctricos que o meu cérebro interpretará como "um computador"? Em troca, que apenas 4,8% sustentem o cepticismo não me surpreende - também penso que questões como a do cérebro numa cuba são intelectualmente úteis, mas sem que possam levar ao cepticismo. Por aqui referi-me à certeza em Do sentido e horizonte da "ciência" (2), O cumprimento do sonho de uma certeza (as coisas n...,... Sobre idealismo vs. realismo quanto a um mundo externo, v. 5ª questão, reforçada pelos 81,6% que (aristotélico-tomistamente) sustentam um realismo moderado.
7ª) E escolhi vir visitar este blogue, ou estava determinado - histórico-culturalmente, geneticamente (!)... - a fazê-lo? Mais uma vez a tendência é clara: Apenas 12,2% dos filósofos contemporâneos argumentariam a favor de um determinismo absoluto. Em Agosto essa questão do livre-arbítrio tocou-me aqui particularmente: Livre arbítrio, mente... e "robopatas", Livre arbítrio, mente... e "robopatas" (2).
8ª) Existe algo que se possa chamar "Deus"? A dificuldade duma resposta racional positiva a essa pergunta está bem expressa nos apenas 14, 6% que a sustentam. No entanto, em Ainda Darwin, e o "Deus" da Bíblia ou do Corão... ... creio ter deixado a pista da razão por que vai um passo de gigante entre a suspensão (racionalmente agnóstica) dessa resposta, e a afirmação ateia (para que tenderão 72,8% dos filósofos... embora não me lembre se a formulação do inquérito não poderá ter levado a uma junção de ateísmo e agnosticismo).
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Passagens das tendências teóricas actuais neste blogue - 1ª, 2ª, 3ª
A interpretação dos resultados do inquérito apresentado no post anterior deve atender a que as respostas não foram obtidas aleatoriamente - como manda a Estatística - mas apenas entre os visitantes da PhilPapers que tomaram a iniciativa de corresponder à proposta dos organizadores do inquérito. Os resultados ficam assim enviesados à partida. Não haveria forma prática de contornar este enviesamento. Mas pouca informação é melhor do que nenhuma. Apenas a interpretação desta última terá que ser prudente.
Dito isto, assinalarei algumas passagens neste blogue sobre as questões tidas por relevantes nesse inquérito - creio que tanto estas questões como aquelas passagens se tornarão assim aqui mais significativas. Seguindo a ordem do inquérito:
1ª) Todo o conhecimento decorre da experiência, ou algum resulta (a priori) do puro exercício da razão? A grande maioria argumenta a favor desta última posição. É o caso de Colin McGinn, pese embora a peculiaridade do seu argumento, à qual me referi (e de que duvidei...) em Uma armadilha kantiana .
2ª) Devemos usar a palavra "existir" apenas para coisas espácio-temporais, ou também para abstracções como "Homem", "p", etc.? Os filósofos (muitos de formação académica em matemática, que o que distingue uma obra como "filosófica" não é o diploma do autor!) pelos vistos mantêm-se indecisos, ainda que com uma levíssima tendência para a 2ª posição. Continuamos pois sem respostas razoavelmente pacíficas para as perguntas Porque é que 2^0 = 1, e não 2^0 = 0?... E a que pr... - mais uma razão para, em Do sentido e horizonte da "ciência" , lamentar que esta questão metafísica não seja obrigatoriamente estudada nos cursos superiores de matemática.
3ª) Será que "gostos não se discutem"? Parece verificar-se alguma tendência para se reconhecer que se atribui beleza a Sharon Stone pelo que esta mulher é em si mesma, e não por quaisquer traços subjectivos, culturais, etc. de quem lha atribui - cf. Entre o enigma do belo... e os da matemática . (Em todo o caso, com certeza que os 34,4% que argumentam pela subjectividade não a julgarão menos bela!).
Dito isto, assinalarei algumas passagens neste blogue sobre as questões tidas por relevantes nesse inquérito - creio que tanto estas questões como aquelas passagens se tornarão assim aqui mais significativas. Seguindo a ordem do inquérito:
1ª) Todo o conhecimento decorre da experiência, ou algum resulta (a priori) do puro exercício da razão? A grande maioria argumenta a favor desta última posição. É o caso de Colin McGinn, pese embora a peculiaridade do seu argumento, à qual me referi (e de que duvidei...) em Uma armadilha kantiana .
2ª) Devemos usar a palavra "existir" apenas para coisas espácio-temporais, ou também para abstracções como "Homem", "p", etc.? Os filósofos (muitos de formação académica em matemática, que o que distingue uma obra como "filosófica" não é o diploma do autor!) pelos vistos mantêm-se indecisos, ainda que com uma levíssima tendência para a 2ª posição. Continuamos pois sem respostas razoavelmente pacíficas para as perguntas Porque é que 2^0 = 1, e não 2^0 = 0?... E a que pr... - mais uma razão para, em Do sentido e horizonte da "ciência" , lamentar que esta questão metafísica não seja obrigatoriamente estudada nos cursos superiores de matemática.
3ª) Será que "gostos não se discutem"? Parece verificar-se alguma tendência para se reconhecer que se atribui beleza a Sharon Stone pelo que esta mulher é em si mesma, e não por quaisquer traços subjectivos, culturais, etc. de quem lha atribui - cf. Entre o enigma do belo... e os da matemática . (Em todo o caso, com certeza que os 34,4% que argumentam pela subjectividade não a julgarão menos bela!).
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Da filosofia e das suas tendências actuais
Recebi os resultados preliminares do recente inquérito da PhilPapers, dirigido por David Bourget e David Chalmers, a que responderam 3226 pessoas, sobre as posições numa série de questões que fazem a agenda filosófica contemporânea. Já neste blogue tive um desabafo sobre a filosofia dos últimos 2 séculos (Da filosofia nos séc. XIX e XX )... Mas considerando antes o que reconheci a essa velha disciplina intelectual em A Filosofia, os Seus Outros... e a Razão do Leigo (http://www.lusosofia.net/textos/albergaria_miguel_soares_de_a_filosofia.pdf), aqui incluo esses resultados.
2 notas prévias: em Uma cultivação em "T" assinalei que este blogue seria dedicado a explorações transdisciplinares e superficiais - o traço horizontal do T; mas será necessário complementar quaisquer movimentos como esse com o aprofundamento especializante do traço vertical. Este inquérito é um indicador das tendências actuais no aprofundamento de algumas das questões que estruturam este blogue. Questões sem resposta?... Pelo menos sobre um mundo além do sujeito que o percepciona, não é o que a estatística sobre o cepticismo revela que os filósofos pensam!
2 notas prévias: em Uma cultivação em "T" assinalei que este blogue seria dedicado a explorações transdisciplinares e superficiais - o traço horizontal do T; mas será necessário complementar quaisquer movimentos como esse com o aprofundamento especializante do traço vertical. Este inquérito é um indicador das tendências actuais no aprofundamento de algumas das questões que estruturam este blogue. Questões sem resposta?... Pelo menos sobre um mundo além do sujeito que o percepciona, não é o que a estatística sobre o cepticismo revela que os filósofos pensam!
A priori knowledge: yes or no?
Accept or lean toward: yes
662 / 931 (71.1%)
Accept or lean toward: no
171 / 931 (18.3%)
Other
98 / 931 (10.5%)
Abstract objects: Platonism or nominalism?
Accept or lean toward: Platonism
366 / 931 (39.3%)
Accept or lean toward: nominalism
351 / 931 (37.7%)
Other
214 / 931 (22.9%)
Aesthetic value: objective or subjective?
Accept or lean toward: objective
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: subjective
321 / 931 (34.4%)
Other
228 / 931 (24.4%)
Analytic-synthetic distinction: yes or no?
Accept or lean toward: yes
604 / 931 (64.8%)
Accept or lean toward: no
252 / 931 (27%)
Other
75 / 931 (8%)
Epistemic justification: internalism or externalism?
Accept or lean toward: externalism
398 / 931 (42.7%)
Other
287 / 931 (30.8%)
Accept or lean toward: internalism
246 / 931 (26.4%)
External world: idealism, skepticism, or non-skeptical realism?
Accept or lean toward: non-skeptical realism
760 / 931 (81.6%)
Other
86 / 931 (9.2%)
Accept or lean toward: skepticism
45 / 931 (4.8%)
Accept or lean toward: idealism
40 / 931 (4.2%)
Free will: compatibilism, libertarianism, or no free will?
Accept or lean toward: compatibilism
550 / 931 (59%)
Other
139 / 931 (14.9%)
Accept or lean toward: libertarianism
128 / 931 (13.7%)
Accept or lean toward: no free will
114 / 931 (12.2%)
God: theism or atheism?
Accept or lean toward: atheism
678 / 931 (72.8%)
Accept or lean toward: theism
136 / 931 (14.6%)
Other
117 / 931 (12.5%)
Knowledge claims: contextualism, relativism, or invariantism?
Accept or lean toward: contextualism
373 / 931 (40%)
Accept or lean toward: invariantism
290 / 931 (31.1%)
Other
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: relativism
27 / 931 (2.9%)
Knowledge: empiricism or rationalism?
Other
346 / 931 (37.1%)
Accept or lean toward: empiricism
326 / 931 (35%)
Accept or lean toward: rationalism
259 / 931 (27.8%)
Laws of nature: Humean or non-Humean?
Accept or lean toward: non-Humean
532 / 931 (57.1%)
Accept or lean toward: Humean
230 / 931 (24.7%)
Other
169 / 931 (18.1%)
Logic: classical or non-classical?
Accept or lean toward: classical
480 / 931 (51.5%)
Other
308 / 931 (33%)
Accept or lean toward: non-classical
143 / 931 (15.3%)
Mental content: internalism or externalism?
Accept or lean toward: externalism
476 / 931 (51.1%)
Other
269 / 931 (28.8%)
Accept or lean toward: internalism
186 / 931 (19.9%)
Meta-ethics: moral realism or moral anti-realism?
Accept or lean toward: moral realism
525 / 931 (56.3%)
Accept or lean toward: moral anti-realism
258 / 931 (27.7%)
Other
148 / 931 (15.8%)
Metaphilosophy: naturalism or non-naturalism?
Accept or lean toward: naturalism
464 / 931 (49.8%)
Accept or lean toward: non-naturalism
241 / 931 (25.8%)
Other
226 / 931 (24.2%)
Mind: physicalism or non-physicalism?
Accept or lean toward: physicalism
526 / 931 (56.4%)
Accept or lean toward: non-physicalism
252 / 931 (27%)
Other
153 / 931 (16.4%)
Moral judgment: cognitivism or non-cognitivism?
Accept or lean toward: cognitivism
612 / 931 (65.7%)
Other
161 / 931 (17.2%)
Accept or lean toward: non-cognitivism
158 / 931 (16.9%)
Moral motivation: internalism or externalism?
Other
329 / 931 (35.3%)
Accept or lean toward: internalism
325 / 931 (34.9%)
Accept or lean toward: externalism
277 / 931 (29.7%)
Newcomb's problem: one box or two boxes?
Other
441 / 931 (47.3%)
Accept or lean toward: two boxes
292 / 931 (31.3%)
Accept or lean toward: one box
198 / 931 (21.2%)
Normative ethics: deontology, consequentialism, or virtue ethics?
Other
301 / 931 (32.3%)
Accept or lean toward: deontology
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: consequentialism
220 / 931 (23.6%)
Accept or lean toward: virtue ethics
169 / 931 (18.1%)
Perceptual experience: disjunctivism, qualia theory, representationalism, or sense-datum theory?
Other
393 / 931 (42.2%)
Accept or lean toward: representationalism
293 / 931 (31.4%)
Accept or lean toward: qualia theory
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: disjunctivism
102 / 931 (10.9%)
Accept or lean toward: sense-datum theory
29 / 931 (3.1%)
Personal identity: biological view, psychological view, or further-fact view?
Other
347 / 931 (37.2%)
Accept or lean toward: psychological view
313 / 931 (33.6%)
Accept or lean toward: biological view
157 / 931 (16.8%)
Accept or lean toward: further-fact view
114 / 931 (12.2%)
Politics: communitarianism, egalitarianism, or libertarianism?
Other
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: egalitarianism
324 / 931 (34.8%)
Accept or lean toward: communitarianism
133 / 931 (14.2%)
Accept or lean toward: libertarianism
92 / 931 (9.8%)
Proper names: Fregean or Millian?
Other
343 / 931 (36.8%)
Accept or lean toward: Millian
321 / 931 (34.4%)
Accept or lean toward: Fregean
267 / 931 (28.6%)
Science: scientific realism or scientific anti-realism?
Accept or lean toward: scientific realism
699 / 931 (75%)
Other
124 / 931 (13.3%)
Accept or lean toward: scientific anti-realism
108 / 931 (11.6%)
Teletransporter (new matter): survival or death?
Accept or lean toward: survival
337 / 931 (36.1%)
Other
304 / 931 (32.6%)
Accept or lean toward: death
290 / 931 (31.1%)
Time: A-theory or B-theory?
Other
542 / 931 (58.2%)
Accept or lean toward: B-theory
245 / 931 (26.3%)
Accept or lean toward: A-theory
144 / 931 (15.4%)
Trolley problem (five straight ahead, one on side track, turn requires switching, what ought one do?): switch or don't switch?
Accept or lean toward: switch
635 / 931 (68.2%)
Other
225 / 931 (24.1%)
Accept or lean toward: don't switch
71 / 931 (7.6%)
Truth: correspondence, deflationary, or epistemic?
Accept or lean toward: correspondence
473 / 931 (50.8%)
Accept or lean toward: deflationary
231 / 931 (24.8%)
Other
163 / 931 (17.5%)
Accept or lean toward: epistemic
64 / 931 (6.8%)
Zombies: inconceivable, conceivable but not metaphysically possible, or metaphysically possible?
Accept or lean toward: conceivable but not metaphysically possible
331 / 931 (35.5%)
Other
234 / 931 (25.1%)
Accept or lean toward: metaphysically possible
217 / 931 (23.3%)
Accept or lean toward: inconceivable
149 / 931 (16%)
Accept or lean toward: yes
662 / 931 (71.1%)
Accept or lean toward: no
171 / 931 (18.3%)
Other
98 / 931 (10.5%)
Accept or lean toward: Platonism
366 / 931 (39.3%)
Accept or lean toward: nominalism
351 / 931 (37.7%)
Other
214 / 931 (22.9%)
Accept or lean toward: objective
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: subjective
321 / 931 (34.4%)
Other
228 / 931 (24.4%)
Accept or lean toward: yes
604 / 931 (64.8%)
Accept or lean toward: no
252 / 931 (27%)
Other
75 / 931 (8%)
Accept or lean toward: externalism
398 / 931 (42.7%)
Other
287 / 931 (30.8%)
Accept or lean toward: internalism
246 / 931 (26.4%)
Accept or lean toward: non-skeptical realism
760 / 931 (81.6%)
Other
86 / 931 (9.2%)
Accept or lean toward: skepticism
45 / 931 (4.8%)
Accept or lean toward: idealism
40 / 931 (4.2%)
Accept or lean toward: compatibilism
550 / 931 (59%)
Other
139 / 931 (14.9%)
Accept or lean toward: libertarianism
128 / 931 (13.7%)
Accept or lean toward: no free will
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: atheism
678 / 931 (72.8%)
Accept or lean toward: theism
136 / 931 (14.6%)
Other
117 / 931 (12.5%)
Accept or lean toward: contextualism
373 / 931 (40%)
Accept or lean toward: invariantism
290 / 931 (31.1%)
Other
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: relativism
27 / 931 (2.9%)
Other
346 / 931 (37.1%)
Accept or lean toward: empiricism
326 / 931 (35%)
Accept or lean toward: rationalism
259 / 931 (27.8%)
Accept or lean toward: non-Humean
532 / 931 (57.1%)
Accept or lean toward: Humean
230 / 931 (24.7%)
Other
169 / 931 (18.1%)
Accept or lean toward: classical
480 / 931 (51.5%)
Other
308 / 931 (33%)
Accept or lean toward: non-classical
143 / 931 (15.3%)
Accept or lean toward: externalism
476 / 931 (51.1%)
Other
269 / 931 (28.8%)
Accept or lean toward: internalism
186 / 931 (19.9%)
Accept or lean toward: moral realism
525 / 931 (56.3%)
Accept or lean toward: moral anti-realism
258 / 931 (27.7%)
Other
148 / 931 (15.8%)
Accept or lean toward: naturalism
464 / 931 (49.8%)
Accept or lean toward: non-naturalism
241 / 931 (25.8%)
Other
226 / 931 (24.2%)
Accept or lean toward: physicalism
526 / 931 (56.4%)
Accept or lean toward: non-physicalism
252 / 931 (27%)
Other
153 / 931 (16.4%)
Accept or lean toward: cognitivism
612 / 931 (65.7%)
Other
161 / 931 (17.2%)
Accept or lean toward: non-cognitivism
158 / 931 (16.9%)
Other
329 / 931 (35.3%)
Accept or lean toward: internalism
325 / 931 (34.9%)
Accept or lean toward: externalism
277 / 931 (29.7%)
Other
441 / 931 (47.3%)
Accept or lean toward: two boxes
292 / 931 (31.3%)
Accept or lean toward: one box
198 / 931 (21.2%)
Other
301 / 931 (32.3%)
Accept or lean toward: deontology
241 / 931 (25.8%)
Accept or lean toward: consequentialism
220 / 931 (23.6%)
Accept or lean toward: virtue ethics
169 / 931 (18.1%)
Other
393 / 931 (42.2%)
Accept or lean toward: representationalism
293 / 931 (31.4%)
Accept or lean toward: qualia theory
114 / 931 (12.2%)
Accept or lean toward: disjunctivism
102 / 931 (10.9%)
Accept or lean toward: sense-datum theory
29 / 931 (3.1%)
Other
347 / 931 (37.2%)
Accept or lean toward: psychological view
313 / 931 (33.6%)
Accept or lean toward: biological view
157 / 931 (16.8%)
Accept or lean toward: further-fact view
114 / 931 (12.2%)
Other
382 / 931 (41%)
Accept or lean toward: egalitarianism
324 / 931 (34.8%)
Accept or lean toward: communitarianism
133 / 931 (14.2%)
Accept or lean toward: libertarianism
92 / 931 (9.8%)
Other
343 / 931 (36.8%)
Accept or lean toward: Millian
321 / 931 (34.4%)
Accept or lean toward: Fregean
267 / 931 (28.6%)
Accept or lean toward: scientific realism
699 / 931 (75%)
Other
124 / 931 (13.3%)
Accept or lean toward: scientific anti-realism
108 / 931 (11.6%)
Accept or lean toward: survival
337 / 931 (36.1%)
Other
304 / 931 (32.6%)
Accept or lean toward: death
290 / 931 (31.1%)
Other
542 / 931 (58.2%)
Accept or lean toward: B-theory
245 / 931 (26.3%)
Accept or lean toward: A-theory
144 / 931 (15.4%)
Accept or lean toward: switch
635 / 931 (68.2%)
Other
225 / 931 (24.1%)
Accept or lean toward: don't switch
71 / 931 (7.6%)
Accept or lean toward: correspondence
473 / 931 (50.8%)
Accept or lean toward: deflationary
231 / 931 (24.8%)
Other
163 / 931 (17.5%)
Accept or lean toward: epistemic
64 / 931 (6.8%)
Accept or lean toward: conceivable but not metaphysically possible
331 / 931 (35.5%)
Other
234 / 931 (25.1%)
Accept or lean toward: metaphysically possible
217 / 931 (23.3%)
Accept or lean toward: inconceivable
149 / 931 (16%)
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Os EUA e o mundo - séc. XXI
Em 2, 3 e 4 deste mês o investigador do National Security Analysis Department, da Universidade John Hopkins, Michael Vlahos publicou em The Globalist - The power of global ideas a trilogia "American power and the fall of Modernity". Respectivamente, in:
Trilogia que praticamente começa com a pergunta: "Are we really heading toward a new Dark Age, or can we defend civilization and still help those left behind?" [Costuma chamar-se "Idade das trevas" (Dark Age) à Alta Idade Média (séc. V d.C - séc. VIII/IX d.C.), quando as populações europeias se afundaram no esquecimento da civilização Clássica (greco-latina) e ainda não tinham gerado a civilização Ocidental]. Anunciando o autor que a sua resposta é optimista, embora não aquela que a maioria das pessoas mais gostasse de ouvir. Além de servir como chamada de atenção para esses 3 artigos, que bem a merecem, o presente post servirá como achega para a discussão dessa resposta.
Sob o reconhecimento do papel arbitral do Estado-Nação na ordem mundial Moderna, o problema de que Vlahos parte é o do actual abandono, por essas instituições políticas, de 60% da humanidade. (Na 1ª parte de O Nó do Problema Ocidental - A dimensão das ciências assumi aproximadamente o mesmo ponto de partida). Ao que essas comunidades começam a responder organizando-se em outras instituições que não o Estado-Nação - Vlahos dá exemplos como o das grandes congregações muçulmanas e cristãs protestantes na África Ocidental, fortemente relacionadas com organizações religiosas não africanas enquanto o poder do Estado nacional naquela região é fraco, de modo que os Estados (não apenas africanos!...) deixam de ser árbitros, ou os agentes políticos supremos, para se tornarem em mais um tipo de jogadores entre outros. Especificamente sobre os EUA, a essa trilogia acrescento a pista que abri em Um crepúsculo da América?.
A parte II da trilogia ilustra essa tese com análises da história recente do México, Paquistão... sociedades tradicionalmente oligárquicas - ou seja, nas quais uma minoria açambarca o poder e privilégios - onde grande parte da população respondeu organizando-se em cartéis que produzem os estupefacientes procurados por americanos e europeus.
Enfim na parte III esse investigador da John Hopkins vaticina que "global networks will continue, but only for those who manage to 'make it' by the first decades of this early-21st century. Unable to aid the 60% left behind, humanity's prosperous minority - whether they admit it or not - is increasingly looking to its own defense and preserving the integrity of a smaller system that is still viable. Globalization is now all about a minority living defensively within a seething non-state majority."
Se bem lembro na síntese de Matthew Melko, há 40 anos, já se prevê a alta probabilidade desta reaproximação ao feudalismo - mas referi a bibliografia exacta dessa previsão antiga em O Nó do Problema Ocidental. O que logo de seguida procurei nesse ensaio, porém, e que se não encontra na trilogia a que me estou aqui a referir, foi, num 1º passo, a previsão teórica da sustentabilidade desse smaller system. Isto é, a previsão sobre a possibilidade da continuação da prosperidade da minoria. Possibilidade negada, a longo prazo, pelos estudos das Nações Unidas que lá cito. A fazer fé nos argumentos aí avançados, portanto, ou bem que nestas primeiras décadas do séc. XXI a prosperidade é alargada à maioria da humanidade, ou bem que, nas décadas seguintes, aquela minoria deverá ser arrastada pelos deserdados.
A esses argumentos macro-económicos, aliás, poderá juntar-se a sequência que Vlahos aponta: actual problema económico-financeiro; à sua saída, problema de fornecimento suficiente de energia; a uma sua saída, problema ecológico. (Já de seguida colocarei um post com uma confissão sobre as emoções que estas análises e consequentes previsões me sugerem...).
Mas voltando ao percurso daquele meu ensaio em correlação ao de Michael Vlahos, num 2º passo - que de resto se aplica tanto aos estudos económicos da ONU quanto às teorias geológicas empregues por este autor para prever a escassez de petróleo, etc. - há que perguntar pelo estado da arte nas ciências. Introduzi no referido ensaio a tese de que também estas se partem hoje numa crise paradigmática - o que aliás me sugeriu a pergunta se o diagnóstico de crise civilizacional afinal não se circunscreverá a reflexo de uma deficiência nos instrumentos teóricos usados, sem que (por enquanto!) exista qualquer problema para além do âmbito teórico...
Daí a necessidade civilizacional dum 3º passo: o da procura da origem das teorias, em ordem à superação daquela crise paradigmática.
Foi com a hipótese de uma resposta a esta pergunta, e com o programa de um seu desenvolvimento teórico-prático, que terminei esse ensaio. Não sei se será funcional. Mas procurar alguma resposta não há-de ser pior do que aceitar de vez o cenário previsto por Vlahos!
Foi com a hipótese de uma resposta a esta pergunta, e com o programa de um seu desenvolvimento teórico-prático, que terminei esse ensaio. Não sei se será funcional. Mas procurar alguma resposta não há-de ser pior do que aceitar de vez o cenário previsto por Vlahos!
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